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Deixa
Minha
fantasia
Que nela
Acordo
todo dia
Para
trabalhar
Sem me
perder
Na utopia
Deixa
Minha
poesia
Que me
ocupa
Quando não
posso
Me ocupar
de ti
Que me
acalma
Me diverte
Que segura
Minhas
barras
Que
embalam
A saudade
As
estradas
E as
distâncias
Que nos
separam
É meu robe
Meu carma
Meu darma
Minha alma
Minha cama
Prazeroso
dever
Plano B
Válvula de
escape
De coisas
Que não se
poderia
Fugir
Me salva
De me
perder
Não escapo
Não me
escondo
Dos meus
versos
Não me
encolho
Não
escolho
Nem quero
Escolher
Me perdoa
Pelo vício
Pelo
impulso
De
escrever
Perdoa
A poesia
Que me
impede
De enlouquecer
439
Ontem à
noite
Depois do
expediente
De caixote
E
bicicleta
Me mandei
Para o
centro
De bar
Em bar
Em cima
Do Caixote
Exercendo
o ofício
De
declamar
Quando um
moço
Me disse
Que na
casa de Stael
Acontecia
Um Sarel
Oportunidade
ímpar
Para um
poeta
Que faz as
mala
De seus
versos
E os leva
Para
viajar
Como oportunidade
Na vida
É o que
não se perde
Fui o tal
Sarel
Conhecer
Tinha
gente
Não muita
Não pouca
Suficiente
Inteligente
Sorridente
Diferente
Da média
da sociedade
Que
engrossa
O estouro
da boiada
Correndo
Para o
abismo
Tinha
musica
Ao vivo
Autoral
Bem de
perto
Um encanto
Tinha
poesia
Declamada
E para
quem quisesse
Ler
Não eram
poucas
E muito boas
Eram as
poetisas
Tinha
comida gostosa
Tinham
crianças
Tinham
gatos
Convidados
para a festa
Tudo numa
casa
Decorada
Iluminada
Colorida
Encantada
Que me fez
Me sentir
em casa
Era dia
das mulheres
Fiz minha
homenagem
E até ouvi
De uma
parede
Esta
poesia:
“Minha
utopia:
Que todos
os dias
Sejam
Simplesmente
dias
Que não
hajam mais
Minorias”