terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

ÁGUA VIVA.

145
A tarde na praia
O vento sopra para o mar
O lixo de
De  todo um domingo
Não tem outro caminho

Aquele saco plástico
Limpinho e transparente
Atravessou a praia
Como se fosse invisível

Tropeçou em tanta gente
Sem sequer ser notado
Enganchou-se
Na perna de um moço
Que não fez nem um esforço
Foi o vento mesmo
Que fez o trabalho
De desenganchá-lo

O plástico seguiu livre
Com destino certo
Entrou na água
Foi afundando lentamente
Bailando na corrente
Translúcido refletia o sol

Virou água viva
E logo foi engolida
Por uma tartaruga
Que na segunda
Vi na praia estendida

Triste sina seria
A daquele saco negligente
Que inocente
Foi largado por alguém
E não pôde se defender

Se não fosse
Esse poeta
Que por ali passava
E numa lata de lixo
Logo adiante
Veio o saco depositar

Mas não
Sem antes
Ver a tal sacola
Passear pela praia impune
No meio dos donos da casa
Sem que ninguém
Repetisse o ato
Do poeta solitário
Nessa terra de ninguém