sábado, 21 de março de 2015

LABIRINTO LEMINSKIANO



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Acordo cedo nos beiços o café que desperta a fera me debato me estribuxo me delínquo rebato rebuto retruco astuto me escondo mas não todo nem sempre o abdômen a cabeça a bala sola que escama esfola a estopa a garrafa a tropa o filho na porta
acordo ser mais tranquilo menos menino poetizo profetizo o consenso honesto em torno do todo a utopia o sonho antigo de um deus de um paraíso o pecado eterno o inferno dos mortos e dos vivos o medo atributo dos dominados diminuídos indivíduo isolado oprimido mordendo a isca que lhe resta faísca que lhe move te absorve te consome te mantém vivo e útil último objetivo
discordo de tudo que foi escrito atiro para todos os lados há um inimigo que me mira o dinheiro o poder o egoísmo forte bem armado marcha calado se infiltra nos lares pela fome pela guerra urbana cotidiana a igreja as TVs as TVs das igrejas rastejam nas trincheiras por onde ando o poder político da direita e da esquerda corrompidos vendidos para que realmente manda o poder do povo reprimido mais vendido e comprado do que os partidos inocentes que se acham espertos educados conforme o encomendado para marchar enfileirados ou morrerem assassinados a bolsa que te compra a água que te falta a fome da fome a sede da alma a arma quer resta na mão da criança a guerrilha religião a bíblia a gaiola o parafuso solto na cachola  pesadelo que se espalha me esquivo mas não subestimo o perigo dos anos das horas e lugares por onde ando não me submeto me rebelo me preservo íntegro grito alto para ser ouvido durmo tranquilo na toca que pago com dinheiro que ganho do inimigo versos malditos palavras de ordem o hino hiato da verdade dos sentidos para cada lado marcham os instintos inspiro me deformo ao espelho saio vivo mais sábio do que nunca devia ser sabido peço ajuda perco o juízo pago o imposto para o governo e repago para o bandido sobrevivo puto com o indivíduo do processo que impede o progresso e a justiça brigo com o amigo que não enxerga quem manipula controla a câmera e a cena que paga o pato quem rouba o troco quem bate quem apanha quem é o dinheiro quem é o diabo feiticeiro que me mantém escravo estupro ao cidadão estúdio de televisão ruas bueiros universo buraco negro o mel na boca da abelha a goteira e a telha centelha acesa Genebra que se espalha o bárbaro o ébrio cego que se enxerga e muda o mundo de dentro ávido menino que chuta o mundo ao vento sábio o destino a profecia um pedido um desejo escondido as cores que o dia pinta a sombra da nuvem da árvore o simples encanto para o simples momento mágico filtro viajo em busca do portal supero espero admiro miro me inspiro cansado alço voo solitário me encontro no meu mundo secreto onde guardo meus tesouros tudo que me importa o alimento que me falta fruta fresca e saborosa ar puro de um lugar tranquilo lembranças de criança descoberta de um mundo perdido fantástico história de livro fanático fã o menino livre nuvens que passam como um filme o cheiro da manhã no orvalho que 
brilha na terra um rasgo que mina um regato a jusante mais outra que se junta nasce a criança e cresce voa livre se arrisca volta para casa para uma visita o amor na praça dança fogos e a festa a companhia perfeita o leite as frutas a sesta a cesta na sexta o óleo a palma a pedra  floresta que brota resiste e cresce a pátria que se expande do eu para o universo aceito a sorte a brisa o mar a vista o norte o frio na barriga o sorriso que encanta o canto que se expande o entendimento o conflito sadio o tempero seu cheiro desejo gostoso reencontro o fim o começo e o meio a paz e nada mais















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