sexta-feira, 12 de abril de 2013

PREÇO JUSTO.


Qual o preço justo?
O subjectível incontável
preço do seu serviço?
Qual o preço a pagar
por existir?

Qual o preço do desejo?
Qual o preço do seu beijo?
Quanto vale pagar?
Quanto de mim
terei que abandonar?
Para comer
beber
morar?
Para ter você.

Com quantos vou me indispor
para não pagar 
mais do que o valor,
para me entregarem no prazo?

Quanto vale meu salário?
Os sapos que engulo,
quanto vale?
O tempo longe de casa,
quanto vale?
Os que morrem de fome
sem casa para morar
Qual o preço a pagar?


quarta-feira, 10 de abril de 2013

SETA.

A for-ma hai-kai
lhe é uma se-ta que vai
cer-to ao al-vo.

OBS:
E às ve-zes o
hai-kai é tão con-ci-so
fal-ta sí-la-ba.


terça-feira, 9 de abril de 2013

OUTRO HAIKAI.

Não  im-por-tu-no
a-pa-go o que pen-so
pa-ra te di-zer.


O haikai é um pequeno poema japonês com tres linhas, sendo as 1° e 3° linhas com 5 sílabas e a 2° linha com 7sílabas. Somando a isso tem o kigô, que é uma referência à estação do ano em que foi composto o hai-kai. Normalmente o hai-kai está relacionado à nautureza. 
O grande trabalho, além da forma, é transmitir a mensagem em poucas palavras de forma bastante concisa.

domingo, 7 de abril de 2013

HISTÓRIA DE NINAR.


Um macaco sem história.
O macaco se esqueceu,
perdeu toda a memória,
se perdeu da floresta
foi parar na metrópole.

E pensando que era homem,
foi procurar emprego.
Foi pedir empréstimo no banco
para construir uma casa.
Mas sem emprego nem renda,
do banco não levou nada.
Mas o macaco não desistiu
de ganhar a vida.
Pulando de carro em carro,
limpando para-brisa.
Ganhava uns trocados
para comprar comida.

Morando debaixo da ponte
de um rio poluído,
se esqueceu das maravilhas
que até ali tinha vivido,
numa floresta encantada
e florida.
Pulando de galho em galho
feliz com a vida.
Sem se preocupar com a enchente,
a chuva era sempre bem vinda.
Mas agora ele
não se lembra,
pois é um macaco sem barril,
um macaco sem história.



quinta-feira, 4 de abril de 2013

PORTO SEGURO.


Vou me livrar de tudo
que é fútil,
que é inútil,
que  tem medo,
e indecisão,
de tudo que é lento inseguro,
que me atrasa a vida que é curta.

Se quer perigo,
vem comigo,
mas se quer abrigo
ou um amor tranquilo,
não me siga.
O porto seguro
fica muito além
das tormentas desse mar
em que um dia
eu de me afogar
atrás do canto de alguma sereia,
de algum tesouro perdido.
Ou simplesmente
da profundeza,
do infinito.

É nesse mar que navego
ao sabor do vento
onde ei de naufragar
e renascer.
Porque?
eu não pergunto,
só sigo o rumo.

O chegar e o cominho,
tudo que interessa.
Sem explicar,
sem entender,
sem ter pressa,
sem perder tempo,
nem o momento
em que o universo conspira 
para a vida acontecer