domingo, 7 de abril de 2013

HISTÓRIA DE NINAR.


Um macaco sem história.
O macaco se esqueceu,
perdeu toda a memória,
se perdeu da floresta
foi parar na metrópole.

E pensando que era homem,
foi procurar emprego.
Foi pedir empréstimo no banco
para construir uma casa.
Mas sem emprego nem renda,
do banco não levou nada.
Mas o macaco não desistiu
de ganhar a vida.
Pulando de carro em carro,
limpando para-brisa.
Ganhava uns trocados
para comprar comida.

Morando debaixo da ponte
de um rio poluído,
se esqueceu das maravilhas
que até ali tinha vivido,
numa floresta encantada
e florida.
Pulando de galho em galho
feliz com a vida.
Sem se preocupar com a enchente,
a chuva era sempre bem vinda.
Mas agora ele
não se lembra,
pois é um macaco sem barril,
um macaco sem história.



quinta-feira, 4 de abril de 2013

PORTO SEGURO.


Vou me livrar de tudo
que é fútil,
que é inútil,
que  tem medo,
e indecisão,
de tudo que é lento inseguro,
que me atrasa a vida que é curta.

Se quer perigo,
vem comigo,
mas se quer abrigo
ou um amor tranquilo,
não me siga.
O porto seguro
fica muito além
das tormentas desse mar
em que um dia
eu de me afogar
atrás do canto de alguma sereia,
de algum tesouro perdido.
Ou simplesmente
da profundeza,
do infinito.

É nesse mar que navego
ao sabor do vento
onde ei de naufragar
e renascer.
Porque?
eu não pergunto,
só sigo o rumo.

O chegar e o cominho,
tudo que interessa.
Sem explicar,
sem entender,
sem ter pressa,
sem perder tempo,
nem o momento
em que o universo conspira 
para a vida acontecer


terça-feira, 2 de abril de 2013

SUA POESIA


Sei que andas tão ocupada,
tão na corrida
que não tem tempo
de ouvir meus elogios,
minha rasgação de seda.

Com zelo cuidas
da sua horta e
da sua prole.

Sei que andas cansada,
até desiludida.
Não é fácil a vida
De quem escolheu
Evoluir.
Mas eu insisto
Faço mais uma poesia
que é só sua.

Homenageia
sua garra,
sua gana,
seus feitos
e vitórias.
Receba
Minhas flores
tão sinceras
sempre
como minha poesia.
Em homenagem
à sua beleza,
que eu jamais
poderia deixar de mencionar.

quarta-feira, 27 de março de 2013

CERRADO.


Eu não conheço Paris,
nunca fui a Londres
ou New York.
Jussara
debaixo do meu nariz
Vitória e Ouro Preto
que é Roock.


Por isso que sou
simples assim
me contento com qualquer
vinho chinfrim.
O cerrado
é que conheço bem
arroz com feijão
e pequi.
As palmeiras do minha terra
eu sei reconhecer
babaçu, buriti ,
gerivá, bacuri,
butiá ,jataí,
guariroba, açaí.
e jussara,
que além de uma palmeira,
é uma linda mulher
e a cidade onde nasci.

Não conheço Paris,
mas posso conhecer
e mesmo assim
não vou ser
em nada
melhor que você.

Posso fazer versos,
mesmo sem gostar muito de ler,
posso cantar
e tocar sem muito saber
e mesmo assim posso encantar
e te perguntar:
no que eu sou
pior do que você?