quinta-feira, 10 de março de 2016

SAREL NA CASA DE STAEL.



439
Ontem à noite
Depois do expediente
De caixote
E bicicleta
Me mandei
Para o centro

De bar
Em bar
Em cima
Do Caixote
Exercendo o ofício
De declamar

Quando um moço
Me disse
Que na casa de Stael
Acontecia
Um Sarel
Oportunidade ímpar
Para um poeta
Que faz as mala
De seus versos
E os leva
Para viajar

Como oportunidade
Na vida
É o que não se perde
Fui o tal Sarel
Conhecer

Tinha gente
Não muita
Não pouca
Suficiente
Inteligente
Sorridente
Diferente
Da média da sociedade
Que engrossa
O estouro da boiada
Correndo
Para o abismo

Tinha musica
Ao vivo
Autoral
Bem de perto
Um encanto
Tinha poesia
Declamada
E para quem quisesse
Ler
Não eram poucas
E muito boas
Eram as poetisas
Tinha comida gostosa
Tinham crianças
Tinham gatos
Convidados para a festa

Tudo numa casa
Decorada
Iluminada
Colorida
Encantada
Que me fez
Me sentir em casa

Era dia das mulheres
Fiz minha homenagem
E até ouvi
De uma parede
Esta poesia:

“Minha utopia:
Que todos os dias
Sejam
Simplesmente dias

Que não hajam mais
Minorias”

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

UMA DITADURA SUTIL.



436

O capitalismo

É degradante

Trabalho escravo

E estressante

Ao meio ambiente

Gente

Comendo

Gente

Peca

Pelo excesso

E pela falta

Desequilíbrio

Entre

Quem recebe

E quem trabalha


Um planeta

Tão imenso

Consumido

Por tão poucos

Fazer dinheiro

Pelo simples prazer

De se ter

Dinheiro


O capitalismo

É um abismo

Em que

Nos jogamos

Todos

Por medo

Escolha própria

Falta de opção

Ou ilusão

Decadente

Sempre

Se recicla

Se disfarça

Sobrevive

E dá as cartas


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

PARA QUEM REZA-SE O TERÇO.

Um terço para mim
Um terço para o resto
Um terço para Aécio

Uma rima capenga
Um trocadilho besta
É tudo que me resta

E a justiça?
Ao que se presta?
Ao que vem ao caso
Para a imprensa
Que pensa
Em quem manda
Em que paga a conta
Quem defende a cota
Mantém a meta
De se manter impune
Imune
Á qualquer ética
Privilégios eternos
Desse sistema podre
Que um dia sonhamos
MUDAR

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

ROMÂNTICOS DE CUBA.




432
Hoje
Me mandaram ir para cuba
Fiquei com vontade
De ir

Mas decidi
Fazer melhor
Vou trazer
Cuba para cá
Somar
E multiplicar
Ao dividir
As riquezas
Da Terra do Porvir
E o país do futuro
Será alegre
E colorido

Topo andar de bicicleta
E até
Escrever
Num AT
Que não tenha nem acento
Aproveito
E juntamente
Com as vírgulas
E os pontos
Me obrigo a aboli-los
E pronto

Quem tem mérito
Será recompensado
Mas
Sem explorar
Os desmerecidos

Cuba será
Um continente
Sem embargos
Nem inimigos
Aposto
Que o povo
Será
Feliz para sempre
Se não for assim
Vou para Cuba contente

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

COMO NASCEU O CAIXOTE DE POESIAS.



Após ter publicado o livro Poesia só de Brincadeira e de ter visto a editora descumprir a promessa de distribuir 500 cópias no Brasil e 250 em Portugal, percebi que meu livro não venderia se não pelas minhas mãos. Entendi que ninguém, independente da qualidade do trabalho, iria apresenta-me num programa de televisão, que ninguém escreveria uma crítica num jornal e que eu é que teria que levar minha poesia a cada um.
Pensei então em como levar minha poesia ao público que anda pela cidade e que se aglomera aqui ou ali. Como Vitória é uma cidade praiana e praia sempre junta gente, pensei em pegar carona num produto que faz sucesso na praia: picolé. Poderia me associar a um vendedor de picolés ou eu mesmo pegar o carrinho numa fábrica. Compraria um megafone e sairia pelas praias de Vitória a vender picolés e poesias, o projeto se chamaria Praia, Picolé e Poesia. Um amigo ao ouvir minha ideia me disse uma grande verdade:
“- Vais vender muito picolé!”
Mas a poesia iria viajar e poderia ir de brinde.
Um dia contei meu plano a um picolezeiro que vende picolé na frente da firma, na hora do almoço e o convidei para tocar o negócio comigo, propondo fazer a empreitada no sábado, o que ele respondeu de pronto:
“-No sáaaaaaaabado????”
O ocorrido me abriu os olhos para o fato de que, envolver outras pessoas no projeto, seria um grande empecilho para sua realização. Fiquei com a ideia na cabeça, mas sem colocar nada em prática.
Mais adiante fiz um embarque no Rio de Janeiro e na volta para Belo Horizonte, li na revista da companhia aérea uma entrevista com Mônica Martelli. Ela conta com partiu para o projeto do filme “Os homens são de Marte, é para lá que eu vou”. Dizia ela que já tinha feito alguns bicos e personagens secundários, mas a carreira não deslanchava. Sua mãe lhe dissera que ela tinha que levar seu texto, que era muito bom, parar o público, que ela tinha que ir para a praça, subir num caixote e declamar sua obra, assim ela foi atrás de materializar seu texto. Ela não subiu num caixote, mas como eu nunca tinha feito se quer uma ponta ou papel secundário- os únicos papéis que havia feito, eram principais: “João Geólogo” na Feira do Verde e “A Bruxaria das Pedras” no GEOSTOK- resolvi seguir o conselho à risca, o de sua mãe e mais o de Sérgio Sampaio que disse que “lugar de poesia é na calçada”.
Quando li a tal entrevista, vi de cara a solução que eu precisava, com a vantagem da versatilidade e portabilidade do Caixote. Da bicicleta ao avião, ele vai bem acomodado, dá para levar na mão também, se instala fácil na calçada, na praça, no teatro, no bar e onde mais se puder imaginar e só dependeria de mim para colocar em prática onde e quando quisesse e houvesse uma oportunidade. Poderia sair por aí sem destino certo, programar eventos ou participar, me inserindo fácil, em eventos programados por outros. Estava ali, o veículo que levaria minha poesia para viajar pelo universo, e que me levaria junto em cada sorriso que arrancasse por aí. A construção era barata e o projeto muito viável. Aplicando os conceitos do reaproveitamento e da reciclagem, essenciais para qualquer projeto artístico hoje em dia, catei três caixotes na calçada de uma fruteira, com os quais fiz um reforçado. Tinta, pincéis, alguns versos escolhidos, criatividade e alguma prática na pintura eu tinha. Pintei o caixote em tinta a óleo, o que exigiu várias etapas de pintura e secagem, com algumas viagens no meio. Processo demorado, que me dava tempo para a ideia amadurecer.
Pronto o caixote, comprei o megafone, escolhi as poesias e desde agosto de 2013, o caixote está na rua. O Tenho levado em todas a viagens que faço, sem a esposa e as crianças e aproveitado todas as oportunidade de declamar minhas poesias. O caixote viaja todos os dias na garupa da bicicleta para o trabalho e voltamos brincando de poesia na Praia de Camburí. Já participou de eventos, como o FICA (Festival Internacional de Cinema Ambiental), na Cidade de Goiás e da semana cultural da firma, já parou na Feira de Artesanato de BH, já foi ao circo e não vai parar tão cedo. Talvez venham outros caixotes, com formas e cores diferentes, junto com novos livros, novos textos e contextos.
Tem sido muito gratificante e a animadora a recepção que as pessoas tem tido diante do Caixote, das poesias e do poeta. Seus versos são retribuídos com sorrisos e elogios, às vezes palmas, às vezes também com a venda de um livro, indicando que estamos no caminho certo e que devemos seguir em frente. Já rolou até encomenda de poesia, por um senhor, que ao ouvir “Água Viva”, sugeriu que eu fizesse uma sobre o pó da Vale, o que foi prontamente atendido com “Do pó a à lama, da lama ao pó”.  

O projeto é elogiado por ser inovador, inusitado e por levar cultura para a rua em lugares onde menos se espera. Mais elogiada ainda é a coragem do poeta, que ao subir no caixote supera o medo e o risco de cair de toda aquela altura.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

DO PÓ À LAMA, DA LAMA AO PÓ.



430
Não és insensível
Ao pó invisível
Que te condena
Reduz sua pena
Na vida Terrena

Pó que nasce
Em Mariana
E se espalha
Pelo continente
Até o Atlântico
Vem de Minas
De helicóptero
E de trem
É bicolor
Mas o mesmo dono
Do poder
Tem
Brilhante
E iridescente
Mata a prestação
E de repente
Mata
Bicho
E gente
Mata o rio
Fere o oceano
Profundamente

Um negócio
Da China
Viável
Em condições precárias
Degradantes
De trabalho escravo
E desrespeito
Ao meio ambiente
Mata
Mata
Bicho
E gente